sábado, 2 de abril de 2011

Direto da fonte - Sonia Racy



Sonia Racy - O Estado de S.Paulo
Segredo família
Documento da briga da família Gradin com a Odebrecht, obtido pela coluna, mostra que Bernardo Gradin, mentor do confronto, entrou na Justiça para questionar avaliação de ações que seu pai, Victor Gradin, e um dos seus irmãos, Miguel Gradin, aprovaram.
Quando? Em assembleia de acionistas dia 5 de agosto do ano passado. Segundo a avaliação, feita pelo CSFB, os Gradin têm direito a US$ 1,5 bilhão para deixar a Odebrecht.
Bernardo reivindica o dobro do valor na Justiça.
Uma vez pirata
Cerca de 30 empresas suspeitas de sonegação na comercialização de etanol estão na mira da ANP.
A agência cruzou informações com a Receita Federal, Ministério da Agricultura e secretarias de fazendas estaduais e se prepara para apertar o cerco.
New pedreiros
Daniel e David Feffer, do Grupo Suzano, criaram empresa no setor... imobiliário: a Alden, em sociedade meio a meio com a Helbor.
Ela já nasce com quatro grandes projetos, usando, inclusive, terrenos de propriedade da Suzano.
Home, sweet
Depois de tempos de fartura pós-Lehman Brothers, volta a escassez de "mão de obra" qualificada no mercado financeiro.
Ontem, só se falava de uma suposta perda do BTG, de André Esteves para a Flow, corretora do filho de Jorge Paulo Lemann: oito traderes teriam trocado de casa.
Plantão
Kassab faz a linha "bandeirante" para seu partido, o PSD.
Viaja hoje para o Centro-Oeste, e no outro fim de semana, para o Norte.
Raridade
Entre os destaques do Leilão de Livros Raros e Papéis Antigos, da Folio Livraria, que acontece hoje, um item do lote promete fazer sucesso.
Trata-se de publicação que reúne poesias traduzidas por D. Pedro II, com direito à dedicatória escrita poucos dias antes da sua morte.
Tipo exportação
O modelo de atuação da Ame Jardins despertou interesse em moradores de outras regiões. A entidade, segundo Marcos Arbaitman, tem recebido pedidos para ampliar sua área de atuação.
Em reunião realizada nesta semana, residentes do Alto de Pinheiros solicitaram atendimento. Recentemente, grupos de Cerqueira César, Itaim Bibi, Pompeia, Perdizes e Pinheiros entraram em contato com a Ame querendo se associar.
O presidente da entidade avisa que ela está de portas abertas para replicar o modelo. "Já demos consultoria à Viva Paraíso e a uma turma de moradores de Itaquera. Por que não estender isto a outros que também precisam?".
O que faz a Ame? Tenta cuidar do verde, da segurança, da zeladoria urbana, trânsito, uso e ocupação do solo. Coisas, cá entre nós, da responsabilidade pública.
Do além
Julinho do Carmo, que considerava Dercy Gonçalves sua mãe, prepara festa póstuma da comediante no dia 23 de junho, quando a atriz faria 104 anos.
Onde? No mausoléu da atriz, em Madalena, Rio de Janeiro.
O tempo
Assim como Roberto Carlos, que faz 70 anos em abril, Betty Faria também chegou lá.
Completa sete décadas no mesmo dia em que encerra a temporada de Shirley Valentine no CCBB do Rio: 8 de maio.[ ][/ ]
Best-seller
A editora Record bateu o martelo. Comprou os direitos de publicação de A Estrela do Diabo, novo romance do Jo Nesbo.
Seu último thriller, The Leopard, publicado na Inglaterra em janeiro, foi direto para o primeiro lugar na lista de mais vendidos. 

Quem conhece aposta em Dilma - Miguel Jorge



Miguel Jorge - O Estado de S.Paulo
Ela, afirmativa, direta, incisiva. Ele, evasivo, repetitivo - acima de tudo, e como se estivesse permanentemente em campanha eleitoral, um bom marqueteiro de si mesmo. Não é preciso ser um grande observador para apontar que essa foi, claramente, a principal diferença entre os discursos dos presidentes Dilma Rousseff e Barack Obama, há duas semanas, em Brasília.
Enquanto o norte-americano insistiu em abordar, de forma vaga, questões cruciais para o comércio bilateral entre os dois países, Dilma criticou abertamente as velhas práticas protecionistas dos Estados Unidos e defendeu relações comerciais mais justas e equilibradas. O dela, um discurso coerente com a posição do Brasil no contexto de uma nova realidade geopolítica global. O dele, uma prova de que Obama é um orador dos bons - descontraído, à vontade. Mas, e daí?
A presidente brasileira mencionou as barreiras ao etanol, aço, suco de laranja, algodão e carne bovina, enviando, nas entrelinhas, um recado objetivo: esta é uma via de mão dupla e envolve atores econômicos importantes no cenário mundial. Se um deles quer algo (e Obama quer vender para gerar empregos nos Estados Unidos), oferece algo em troca.
Ainda sobre os discursos de Dilma e Obama: enquanto a presidente brasileira defendeu uma reforma fundamental na governança global, com ampliação do Conselho de Segurança da ONU, o norte-americano foi reticente. Em nenhum momento ele acenou positivamente para a aspiração brasileira de ter um assento permanente no Conselho de Segurança - em vez do "sim" com que a Índia foi brindada em novembro do ano passado, a pretensão do Brasil mereceu o "apreço" do líder norte-americano.
De qualquer forma, quem conhece a presidente Dilma, quem já trabalhou com ela, não se surpreendeu com a sua boa estreia nas altas rodas da diplomacia internacional. Pode-se argumentar que lhe falta carisma, mas não se pode negar que lhe sobram coerência e firmeza na defesa dos interesses nacionais. Desenvolvimentista, a presidente age com a certeza de que o Brasil tem enorme potencial para crescer de forma cada vez mais consistente, a taxas superiores às das economias desenvolvidas.
A postura discreta, a preocupação com as questões internas e administrativas, o estabelecimento de prioridades e o controle de resultados são as principais marcas deste início de governo Dilma - e marcaram, também, a sua gestão à frente da Casa Civil, no governo do presidente Lula.
À época - e aparentemente agora também -, Dilma preferia o gabinete à exposição pública. Detalhista e rigorosa, chegou a ser acusada de intolerante - se é que se pode classificar de intolerante uma profissional que não abre mão de conduzir os processos pelos quais é responsável, que determina metas, que cobra providências e resultados.
Sóbria e coerente com seu estilo pessoal, a presidente já mostrou, também, que entende de avanços e recuos. Na disputa pelos Ministérios, não hesitou em endurecer com o PMDB, mas, depois, autorizou o partido a negociar cargos no segundo escalão com os ministros - a estes, aliás, fez questão de lembrar, na primeira reunião conjunta da equipe, que "eficiência e ética são faces da mesma moeda".
Há poucos dias, em sua primeira grande entrevista a um jornal diário, Dilma encarou uma sabatina e tanto. Falou sobre inflação, economia mundial, tragédia no Japão, alterações no programa Bolsa-Família, especulações sobre mudanças na equipe ministerial. Garantiu que o combate à inflação não será feito com o sacrifício do crescimento e assegurou: o Brasil vai crescer, com certeza, entre 4,5% e 5% este ano.
Na mesma entrevista, a presidente anunciou sua disposição de enfrentar o problema dos aeroportos, um dos principais gargalos de infraestrutura no País. Prometeu "uma forte intervenção" - e cumpriu o prometido. Na sexta-feira 18 de março, o Diário Oficial da União publicou a criação da Secretaria Nacional de Aviação Civil, com status de Ministério, alterando a legislação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero).
Dilma admite articular a expansão dos aeroportos brasileiros com recursos públicos e por meio da adoção de um regime de concessões ao setor privado - medida defendida pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, com participação da então ministra da Casa Civil, ainda no governo Lula. Como agora, empresários interessados em investir no setor aeroportuário defendiam o regime de concessões, próprio de nações desenvolvidas.
Mais uma vez: nada que surpreenda quem conhece a presidente e já trabalhou a seu lado. Não por acaso, pesquisa Datafolha, divulgada no domingo 20 de março, garante 47% de aprovação à gestão Dilma, taxa de popularidade que se iguala ao recorde registrado pelo presidente Lula nessa mesma época, em seu segundo mandato.
Segundo o Datafolha, Dilma supera em popularidade todos os antecessores de Lula, com aprovação maior entre as mulheres (51%) do que entre os homens (43%). Para os brasileiros, saúde é o principal problema do País, mas a pesquisa mostra que a presidente tem outros desafios pela frente: segurança pública, combate à corrupção e transporte.
Para superá-los é fundamental a soma de competência técnica, responsabilidade política e uma ampla visão dos problemas nacionais. Isso Dilma tem de sobra e, a considerar a sua atuação no governo passado, os brasileiros estão em boas mãos.
JORNALISTA, FOI MINISTRO
DO DESENVOLVIMENTO,
INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR DO GOVERNO LULA (2007-2010) 


Tutty Humor - Tutty Vasques



O marqueteiro do Bolsonaro
Quem, afinal, está por trás do fenômeno Jair Bolsonaro? Só se fala disso nas altas rodas de publicitários brasileiros - ô, raça! Há muito tempo, talvez desde a projeção espontânea de Fernando Gabeira no Congresso, um deputado do Rio não despontava com tanta mídia no cenário político nacional.
Seu prestígio no balneário tem a bagagem de seis legislaturas na Câmara, mas é bem provável que 80% dos que andam por aí boquiabertos com as barbaridades que o deputado diz aos montes jamais tinham ouvido sequer falar do cara.
Os papas da propaganda estão certos de que teve dedo de gente do meio na ideia de acabar com a brincadeira proposta pelo humorístico CQC atacando negros e homossexuais, com direito à defesa da censura, da tortura e da ditadura. Tudo junto e misturado para fazer barulho até na ONU.
Acompanhando a repercussão do caso pela internet, impressiona - mais até que a natural reação contrária ao esculacho - a quantidade de gente Brasil afora que lamenta só agora ter conhecido um político corajoso pra dizer o que pensa uma parte significativa do eleitorado nacional. Mas isso, convenhamos, não é problema de marqueteiro!
Melhor não!
Entreouvido num papo de corintianos injuriados: "O Ozzy Osbourne não é doido de entrar hoje na Arena Anhembi enrolado na bandeira do Palmeiras!" Em Porto Alegre, o velho roqueiro se cobriu com o manto do Grêmio em pleno ginásio do Beira-Rio, mas também não era véspera de Grenal, né?
Racismo de grife
A diferença entre John Galliano, ex-Dior, e o Jair Bolsonaro é que o estilista, ao contrário do deputado, só é homem para dizer o que pensa quando enche a cara.
Planeta amassado
Cientistas da Agência Espacial Europeia descobriram que a Terra é tão redonda quanto uma bola de meia após um racha de meninos descalços.
Ô, raça!
Não tem classe mais desunida que a dos humoristas! Agora mesmo, fizeram um monte de piada com o Tiririca por conta de sua iniciativa de empregar um pessoal do programa A Praça é Nossa no seu gabinete parlamentar. Pode?
Bunga-bunga.org
Amigos de Gilberto Kassab estão preocupados. Também, pudera! Parece que, depois de toda aquela confusão em torno da marca "JK", o prefeito registrou o domínio "bunga-bunga" na internet. Deixa só o Berlusconi saber disso!
Ela merece
Hebe Camargo já decidiu: vai fazer no Morumbi a festa do seu milésimo selinho. Só falta definir se, na hora, vai beijar o Luís Fabiano ou o Rogério Ceni.
Arrumando ideia
Marta Suplicy anda pregando abertamente no Congresso a cassação de Jair Bolsonaro. Desse jeito, o deputado vai acabar dizendo em público tudo que pensa acerca das louras. Não é pouca coisa!
no  O Estado de S.Paulo

Cuidado com a reforma política - Miguel Reale Júnior



Miguel Reale Júnior - O Estado de S.Paulo
Excluída a criação da medida provisória e a reeleição, em nada se modificou o cerne do sistema político brasileiro instituído na Constituição de 1946.
Durante os trabalhos da Assembleia Nacional Constituinte prevaleceram as ideias de implantação do regime parlamentarista e do voto distrital misto. Apenas na votação em plenário, em março de 1988, venceram a proposta presidencialista e o voto proporcional para a Câmara dos Deputados. Foi Sarney, agora arauto da reforma política, que, no afã de obter cinco anos de mandato presidencial, promoveu a derrota do parlamentarismo e do voto distrital misto, acoplada à concessão de um quinto ano de exercício da Presidência da República.
Interesses de assunção ao poder presidencial levaram a que o PT se unisse a Quércia e a Maluf na vitoriosa campanha pelo presidencialismo em 1993, ao que se somou a total inoperância da revisão constitucional no plano político, cujo único resultado foi a redução do mandato do presidente da República para quatro anos, sem reeleição, introduzida depois por Fernando Henrique e cuja supressão agora é proposta pela Comissão da Reforma Política.
Há muitos temas em debate, mas a grande questão diz respeito ao sistema eleitoral para a eleição de deputados e vereadores: proporcional, lista fechada, distritão, distrital puro, distrital misto, proporcional por distritos.
No sistema proporcional atual, o partido elege tantos deputados quantos resultam do número de votos recebidos pelo partido dividido pelo quociente eleitoral, que, por sua vez, é alcançado mediante a divisão dos votos válidos na eleição pelo número de deputados do Estado. Se São Paulo tiver 21 milhões de votos válidos, sendo 70 as cadeiras do Estado na Câmara, o quociente é de 300 mil votos. Se o partido teve 3 milhões de votos, cabe-lhe ter dez deputados.
A tentativa de alterar o sistema proporcional é contínua, mesmo porque consabidos seus vícios: milhares de candidatos a disputar, em lista aberta, por todo o Estado, encarecendo a eleição; distância entre eleitor e candidato; prevalência de celebridade, cantor, palhaço ou ex-BBB; vota-se na pessoa, mas sem perceber se está a votar também no partido, pois o milhão de votos em Tiririca elevou, pelo sistema proporcional, o número de vagas do seu partido e dos coligados. Vota-se em A, elege-se B; compra de apoio de líderes de redutos eleitorais consagrando quem tem dinheiro, mas não tem laços com a comunidade; fragilização dos partidos políticos, pois candidatos de um mesmo partido digladiam entre si.
Pelo sistema da lista fechada ou preordenada, busca-se fortalecer os partidos, pois não mais se vota em candidatos, mas em partidos políticos que terão número de vagas correspondentes aos votos recebidos na forma proporcional acima descrita. O partido indica em convenção a ordem da lista dos deputados. Se o partido ganha direito a dez cadeiras, os primeiros dez da lista estão eleitos. Não se afastam males do sistema proporcional, pois se votará no partido, por exemplo, do Tiririca, mas por causa do Tiririca, que constará do cimo da lista, sem dúvida, pois do contrário não se candidataria. Ganha muita força a oligarquia partidária e afasta-se o eleitor do candidato.
Pelo sistema apelidado de distritão, elimina-se o quociente eleitoral, a forma proporcional. Os candidatos disputam em todo o Estado e serão eleitos os mais votados, independentemente dos votos recebidos por seu partido. Dá-se total preferência à pessoa do candidato, com menosprezo ao partido. O conjunto da votação partidária será ignorado, além de ser mantido o mal da lista aberta do sistema proporcional.
No sistema distrital puro, aproxima-se o candidato do eleitor, reduz-se o campo geográfico da disputa, com barateamento da eleição, impede-se o surgimento de candidatos paraquedistas, porém é prejudicial a eliminação de qualquer proporcionalidade, com supressão de representação das minorias, por vezes bem votadas, como sucedeu com o Partido Liberal na Inglaterra. Conduz ao fim da multiplicidade de vertentes no Parlamento.
O sistema distrital misto adotado na Alemanha seria o ideal, com o eleitor tendo dois votos, um no candidato do distrito e outro no partido, que apresenta lista fechada. Ganham, pelo sistema majoritário, os candidatos eleitos nos distritos e, pelo sistema proporcional, os candidatos da lista partidária, em número para completar as cadeiras a que faz jus o partido, em vista dos votos recebidos, mas não preenchidas pelos resultados dos distritos. Combinam-se as virtudes de ambos os sistemas, mas as dificuldades estão na necessidade de emenda constitucional e na compreensão do sistema pela população.
Por fim, há a proposta de votação em distritos, mas proporcional, razão pela qual poderá ser estatuída por projeto de lei. A disputa, em vez de ser em todo o Estado, dar-se-á em distritos nos quais é dividido o Estado, em número três vezes superior ao número de deputados do Estado, para se ter distritos menores. O cálculo dos eleitos, todavia, deve ser feito pelo sistema proporcional. Por esta proposta, sugerida pelo professor José Afonso da Silva, os candidatos não são eleitos nos distritos, mas votados no distrito em que concorrem. O número de cadeiras será determinado pelo sistema proporcional, em vista do conjunto de votos do partido no Estado. O partido com direito a dez deputados terá os dez mais votados do partido em todo o Estado como eleitos. As vantagens estão na proximidade entre eleitor e candidato, no barateamento da disputa, na ausência de luta entre candidatos do mesmo partido.
Interesses subalternos, muitas vezes, ditam as preferências dos partidos. A sociedade deve estar atenta em face de mudanças que visem apenas ao aumento de bancadas, e não à melhoria de nosso sistema político.
ADVOGADO, PROFESSOR TITULAR DA FACULDADE DE DIREITO DA USP, MEMBRO DA ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS, FOI MINISTRO DA JUSTIÇA 


Por Dutra, Dilma quer PSB em novo ministério



Planalto oferece a Antonio Valadares o comando da pasta da Micro e Pequena Empresa para que o presidente do PT assuma vaga dele no Senado

João Domingos, de O Estado de S. Paulo
BRASÍLIA - Ao propor a criação da Secretaria da Micro e Pequena Empresa por intermédio de um projeto de lei enviado nesta sexta-feira, 1º de abril, ao Congresso, a presidente Dilma Rousseff tenta mais uma vez convencer o senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) a aceitar o convite para assumir a pasta, quando ela for criada. Com isso, o presidente do PT, José Eduardo Dutra, que é suplente de Valadares, assumiria a vaga no Senado.
De acordo com informação de petistas que têm estreito contato com o governo, Dilma sente-se na obrigação de abrir uma vaga para Dutra, pois dos seus três principais auxiliares da campanha - Dutra, Antonio Palocci (Casa Civil) e José Eduardo Cardozo (Justiça), que ficaram conhecidos como os "três porquinhos" -, só ele ficou de fora do governo. Além disso, está alheio ao processo de preenchimento do segundo escalão. Descontente, Dutra licenciou-se da presidência do PT, alegando problemas de saúde.
Desde que anunciou a intenção de criar a Secretaria da Micro e Pequena Empresa, vinculada à Presidência da República e com status de ministério, Dilma Rousseff foi aconselhada a convidar o senador Antonio Carlos Valadares para dirigi-la. Desse modo, Dutra poderia voltar ao Senado. Mas Valadares mostrou-se esquivo ao convite.
A esperança dos petistas reside na possibilidade de o Congresso envolver-se com força na criação da secretaria, com emendas que melhorem o projeto original e sejam capazes de despertar o interesse de Valadares.
Além do senador sergipano, outro nome cogitado para assumir a futura secretaria é o do secretário executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Alessandro Teixeira. Ex-presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), Teixeira assessorou a campanha de Dilma.
Recorde. A Secretaria da Micro e Pequena Empresa é o 39.º ministério do governo Dilma, um recorde. Ela herdou 37 do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No mês passado criou a Secretaria de Aviação Civil por intermédio de medida provisória. Mas ainda não escolheu o titular. O ex-presidente do Banco do Brasil Rossano Maranhão foi convidado para dirigir a secretaria, mas ainda não disse se vai aceitar o convite.
De acordo com a medida provisória que criou a Secretaria da Aviação Civil, ficam transferidas a ela as competências referentes à aviação civil até então sob o comando do Ministério da Defesa. Com isso, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e a Infraero, órgão que administra os aeroportos brasileiros, ficam subordinadas à nova secretaria. A Defesa cuidará apenas do espaço aéreo.
Caberá à secretaria, entre outras atribuições, "transferir para Estados, Distrito Federal e municípios a implantação, administração, operação e exploração de aeródromos públicos, direta ou indiretamente".

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Governo estuda taxar venda de minério


Ideia, apresentada a Dilma Rousseff, é forçar a Vale a investir mais na produção de aço; representantes da mineração criticam proposta

Christiane Samarco e Renato Andrade /  - O Estado de S.Paulo
O Palácio do Planalto determinou ao Ministério da Fazenda estudar uma forma de taxar fortemente a exportação de minério de ferro e desonerar o aço. A ideia é reduzir a venda da commodity e aumentar a comercialização de produtos siderúrgicos brasileiros no exterior. O objetivo por trás da medida é forçar a Vale a investir mais na produção de produtos de maior valor.
A equipe do ministro Guido Mantega está encarregada de fazer as contas, para ver se é viável calibrar os tributos incidentes sobre os produtos. A decisão final só sairá depois que os cálculos forem feitos, mas a presidente Dilma Rousseff gostou da ideia, segundo relato de um interlocutor do Planalto.
Embora a proposta afete todo o setor de mineração, a iniciativa em gestação tem endereço certo e objetivo imediato: forçar a Vale a acelerar a construção da siderúrgica que será instalada no Pará. A medida nasce no momento em que o governo conclui o novo marco regulatório da mineração e tem como pano de fundo a disputa entre a mineradora e o Departamento Nacional de Produção Mineral, em torno do valor que a Vale deve pagar pela exploração de minério.
Antes mesmo de ganhar os holofotes, a encomenda do Planalto foi duramente criticada por representantes da mineração ouvidos pelo Estado. "Isso é uma loucura. O Brasil é um país estranho. Os produtores de aço estão investindo em mineração e o governo quer forçar as mineradoras a investir em siderurgia. Não tem o menor sentido", disse uma importante fonte do setor.
Nem mesmo representantes da siderurgia brasileira acreditam que a taxação do minério possa trazer os resultados esperados pelo governo. "Tem um ruído nessa história de onerar o minério e desonerar o aço. Quando a gente fala em desonerar, tem de ser para a cadeia como um todo", disse o presidente executivo do Instituto Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes.
A tentativa de forçar as mineradoras a investir na produção e venda de aço - que é um produto mais caro do que o minério - está na agenda presidencial há anos. Um dos motivos de choques entre o ex-presidente Lula e o presidente da Vale, Roger Agnelli, era a demora da mineradora em aplicar recursos no setor siderúrgico. A gestão Dilma tem a mesma visão e definiu como uma de suas prioridades "arrancar" da mineradora a construção da Alpa, siderúrgica que será construída em Carajás, disse uma fonte.
Se for concretizada, a proposta poderá trazer efeitos imediatos sobre a balança comercial, já que o minério de ferro é o principal item da pauta de exportações do País. Além disso, há um excedente mundial de produção de aço de 550 milhões de toneladas, um grande obstáculo às pretensões do governo. "A decisão de montar siderúrgicas não pode ser tomada por um caráter emocional e político. Deve considerar as razões econômicas do mercado", ponderou outra fonte. 


Governo já tem diagnóstico sobre setor público do Paraná


no Fábio Campana

O governo do Estado já tem em mãos um profundo diagnóstico da realidade dos hospitais, escolas, delegacias, presídios, informática, contas públicas, agências do Sine, escritórios da SEAB, IAP entre outros.
Em breve saberemos se a propaganda de que o Paraná é o Brasil que deu certo é verdadeira. Afinal lançar centenas de editais de licitação, construir escolas, hospitais, presídios, sem colocar equipamentos e contratar pessoal não é uma boa pratica para a administração publica. Mais parece pirotecnia. E dizer que a Celepar é uma maravilha enquanto os servidores públicos trabalham com equipamentos sucateados também não. E não venham os senhores ex-governadores Orlando Pessuti (PMDB) e Roberto Requião(PMDB) jogarem a culpa um no outro, afinal o governo era um só e deles dois.
Para quem leu o relatório afirma que em alguns casos cabe inclusive medidas judiciais para atribuir responsabilidade pela incompetência ou ma fé ao lançar, anunciar e inaugurar obras e serviços apenas “virtuais”.

No Claudio Humberto



Com medo, Exército proíbe palestra de general

O general Augusto Heleno foi proibido de fazer palestra, nesta quinta-feira, no Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército, em Brasília, que chefia, sobre “A Contrarrevolução que salvou o Brasil”. Ele recebeu ordem do comandante do Exército, Enzo Peri. Para oficiais, Peri tinha medo da repercussão. Heleno, ao contrario, tem coragem: comandante Militar da Amazônia, batizou de “caótica” a política indigenista de Lula. O Planalto informou que não comentará o assunto.

Meirelles quer estatal Brasil 16 para Olimpíadas

O ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles, que assumiu a chefia da Autoridade Pública Olímpica, com objetivo de liderar as ações governamentais para a organização das Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro, dedica-se agora a mais uma empreitada difícil. Ele articula no governo federal a criação da estatal Brasil 16, como uma maneira de compensar a “lipoaspiração” que a APO sofreu no Congresso Nacional.

Estado de absurdo

Governador da Bahia no final dos anos 40, Otávio Mangabeira despachava em seu gabinete quando um assessor entrou esbaforido:
- Governador, aconteceu um absurdo!
Foi o mote para a frase histórica de Mangabeira:
- Calma, meu caro. Não há absurdo que não tenha precedente na Bahia...

1º. de Abril

Lula fará mestrado em Harvard sobre combate à corrupção.

Apostas de risco - Celso Ming



Celso Ming - O Estado de S.Paulo
Quando desistiu do ataque frontal à inflação deste ano e optou por cumprir a meta só em 2012, o Banco Central não dispunha, como não agora, de certezas. Fez algumas apostas no escuro e enfrenta riscos que, no seu conjunto, são possivelmente maiores do que os que correria se partisse logo para o ataque.
A primeira dessas apostas é a de que a redução da velocidade do crescimento do PIB do Brasil, de 7,5%, em 2010, para 4,0%, em 2011, é fator que, por si só, derrubará a inflação. O problema é que não é certo que o PIB crescerá apenas 4,0%. O Orçamento da União, por exemplo, prevê crescimento de 5,5%. E, mesmo que seja de apenas 4,0%, a demanda tende a aumentar bem mais do que a produção interna, porque a renda seguirá turbinada pelo crédito e pelo salário mínimo (veja ainda a sexta e a sétima apostas).
A segunda aposta assumida com algum temor é a de que os preços internacionais das commodities, responsáveis por boa parte da esticada da inflação nestes dois primeiros meses do ano, irão agora estabilizar-se ou, até mesmo, recuar. O risco dessa aposta é a de que a retomada da economia mundial, com que conta o Banco Central, produza efeito oposto. E que, assim, os preços das commodities continuem em alta, talvez não tão forte como a apresentada neste início de 2011, mas o suficiente para continuar insuflando a inflação brasileira. (Veja, ainda, o Confira.)
Terceira aposta: a atual meta do superávit primário (sobra de arrecadação para pagamento da dívida), de R$ 117,9 bilhões, em 2011, será cumprida à risca pelo governo, o que ajudará a segurar a inflação. Os resultados de fevereiro, ontem divulgados (veja o gráfico) foram apontados como indicação de que o pressuposto está correto. Bem, se a arrecadação crescerá menos (porque o PIB também avançará mais devagar), aumentarão as pressões sobre os governos (federal, estaduais e municipais) para que não cumpram suas metas fiscais.
Quinta: O Banco Central entende que as medidas macroprudenciais são instrumentos tão poderosos para derrubar a alta dos preços quanto o aperto monetário (alta dos juros). Objeção: não há evidência disso e a escalada dos preços dos serviços mostra que um importante segmento não é atingido por essas medidas.
Sexta aposta: o crédito, forte propulsionador do consumo exacerbado, não avançará mais do que 15% em 2011. Ora, nos dois primeiros meses do ano, cresceu 21% e não há certeza de que o Banco Central contenha a corrida às operações de crédito nem mesmo dos bancos estatais.
Sétima: o crescimento da renda vai ser contido nos dois próximos anos. Essa aposta é incompatível com o reajuste já contratado do salário mínimo em 2012, de pelo menos 13,9%.
Para resumir, o Banco Central, instituição da qual se espera que opere sempre com alto grau de segurança, assume forte dose de risco. Pode perder algumas ou todas essas apostas. Se perder, à medida que isso acontecer, ficará com sua credibilidade comprometida.
Esta é boa hora para relembrar frase do ex-jagunço Riobaldo, personagem do Grande Sertão, de Guimarães Rosa: "Diverjo de todo o mundo? Eu quase que nada não sei. Mas desconfio de muita coisa".
CONFIRA
Menos dinheiro lá fora?
Uma das razões que levam o Banco Central do Brasil a contar com a estabilização nas cotações das commodities é a alta dos juros a ser praticada pelos grandes bancos centrais.
Puxada dos preços
É que um dos fatores apontados para a alta das commodities é a abundância de dinheiro nos mercados, em consequência da política monetária frouxa dos bancos centrais. Essa abundância estaria levando os investidores a colocar dinheiro nos mercados futuros de commodities. Mas ninguém espera para tão cedo o aperto dos juros pelos bancos centrais dos países ricos, especialmente, pelo Fed, o banco central americano.
Correção
O Banco Central pede um "ajuste" nas declarações do diretor de Política Econômica, Carlos Hamilton Araújo, ontem citadas nesta coluna.
Hamilton Araújo não disse: "Não sei se a inflação é o maior problema do Brasil". Mas disse: "Não sei se o problema (da inflação) é maior no Brasil do que no resto do mundo". 


CMN eleva limite de empréstimos do BNDES à Eletrobrás



Lu Aiko Otta - O Estado de S.Paulo
As empresas do grupo Eletrobrás foram autorizadas ontem a aumentar seu nível de endividamento com o BNDES, para viabilizar a construção de grandes projetos, como a usina de Belo Monte. A holding e as sete empresas do grupo foram autorizadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) a tomar, cada uma, até R$ 20 bilhões em empréstimos, caso a análise de crédito assim o permita. A regra geral diz que um banco não pode emprestar para um único cliente mais do que 25% de seu patrimônio de referência, e que para esse cálculo devem ser consideradas em conjunto todas as empresas de um mesmo conglomerado. Pela resolução aprovada ontem pelo conselho, o limite de 25%, correspondente a R$ 20 bilhões, será considerado para cada empresa do grupo Eletrobrás individualmente. 

Fraude contra BC Alemão


Investigadores descobriram escândalo de € 6 mi envolvendo troca de moedas

DER SPIEGEL
Investigadores alemães dizem ter descoberto um imenso escândalo envolvendo a reintrodução de moedas do euro que tinham sido tiradas de circulação e vendidas como sucata para a China. A fraude, que pode custar ao Banco Central alemão a soma de € 6 milhões, envolvia funcionários de empresas aéreas - entre eles, equipes de bordo da Lufthansa.
Na quarta-feira, as autoridades realizaram uma busca nos endereços dos funcionários da empresa aérea alemã. Seis pessoas foram detidas.
Todos os anos, toneladas de moedas danificadas do euro são tiradas de circulação e revendidas como sucata. Mas, com frequência, as moedas do euro são simplesmente separadas em duas partes principais - o núcleo e o anel externo - antes de serem entregues aos negociantes de sucata na China.
No país asiático, um grupo remontava as moedas. Os criminosos pagavam quatro funcionários de empresas aéreas para que transportassem o dinheiro de volta à Alemanha. Eles então levavam as moedas ao Bundesbank e as trocavam por dinheiro.
Segundo os promotores públicos de Frankfurt, o Bundesbank alemão é o único estabelecimento em toda a Europa que aceita trocar gratuitamente moedas danificadas. O banco aceita material desse tipo em sacos contendo até € 1 mil em moedas. Uma checagem mais rigorosa ocorre apenas periodicamente.
Os promotores dizem que nenhum funcionário do Bundesbank é considerado suspeito. As autoridades estimam que entre 2007 e 2010 o grupo tenha conseguido trocar 29 toneladas de moedas.
Com os chineses, foram apreendidos laptops, documentos e uma prensa que remontava as moedas. Segundo o tabloide alemão Bild, o esquema foi descoberto depois que um funcionário da alfândega reparou num membro da equipe de bordo que tinha dificuldades para arrastar as malas pesadas. Quando elas foram abertas, a alfândega encontrou milhares de moedas. 


Macroeconomia inepta - Rogério L. F. Werneck



Rogério L. F. Werneck - O Estado de S.Paulo
O governo ainda não conseguiu mostrar que tem uma política macroeconômica coerente com a volta da inflação à meta. Uma fonte de preocupação tem sido a política fiscal, que se debate com dificuldades que vão da timidez dos cortes de gastos ao descrédito das contas públicas. A tais dificuldades veio agora se somar um problema grave de credibilidade, advindo do lamentável discurso com que o governo vem tentando racionalizar a expansão do gasto público direcionado ao investimento.
Indagado pela mídia sobre a contradição envolvida nas novas e vultosas transferências do Tesouro ao BNDES, na contramão do corte de gastos que havia sido anunciado, o ministro da Fazenda tem recorrido à seguinte explicação: "Não tem contradição. Uma coisa é gasto e outra, financiamento para investimento. Investimento não pressiona a inflação, ele a alivia, porque significa maior oferta de produtos, mais produtividade e redução de custos" (O Globo, 4/3). A mesma alegação tem sido feita pelo BNDES (http://economia.estadao.com.br/noticias/not_57657.htm).
O argumento não faz sentido. E é triste ter de gastar papel, tinta e tempo do leitor para esclarecer questão tão elementar. Um aumento de gastos de investimento não só afeta diretamente a demanda agregada, como deflagra ondas sucessivas de consumo que acabam dando lugar a impacto total sobre a demanda bem maior do que o aumento inicial dos gastos de investimento. Trata-se do efeito-multiplicador, conceito bem conhecido por qualquer aluno de primeiro ano de Economia.
No devido tempo, o aumento de gastos de investimento - em construções, instalações, máquinas e equipamentos - dará lugar a uma elevação de capacidade instalada que, sim, poderá ampliar a oferta de bens e serviços da economia. Mas, até que isso ocorra - o que não é imediato e depende do prazo de maturação das inversões feitas -, o efeito dominante do aumento de investimento será pelo lado da demanda.
O leitor menos afeito ao economês pode-se beneficiar do noticiário recente para perceber, de forma mais nítida e concreta, a distinção entre o efeito inicial do aumento do investimento, que se dá sobre a demanda agregada, e o efeito posterior, que, afinal, se traduz em ampliação de capacidade de produção. Há poucas semanas houve uma rebelião no canteiro de obras da Usina Hidrelétrica de Jirau em Rondônia. O clima de inquietação logo atingiu outras obras importantes do PAC. Na cobertura dessa rebelião e seus desdobramentos, a mídia tem dado destaque ao vasto contingente de trabalhadores empregados nessas obras. Só em Jirau trabalham nada menos que 22 mil operários.
Os gastos de investimento ali feitos, financiados com recursos do Tesouro, incluem a folha de pagamento desses trabalhadores. Parte do salário é despendida pelos próprios operários e outra parte remetida às famílias em suas cidades de origem, dando lugar a uma primeira onda de consumo que se propaga por boa parte do País. Outras ondas se seguirão, à medida que esses dispêndios de consumo estimularem a atividade econômica nas comunidades em que forem feitos. É o efeito-multiplicador.
Na verdade o impacto da construção de Jirau sobre a demanda é bem maior, já que os gastos de investimento não se resumem à folha de salários. Envolvem também dispêndios com fornecedores, prestadores de serviços, materiais de construção e equipamentos. Até que a primeira turbina comece a gerar energia, em meados de 2012, quatro anos após o início da obra, o impacto dos investimentos estará restrito à demanda.
O governo ainda não se deu conta da péssima impressão que vem causando o discurso oficial de que investimento não pressiona demanda. Tal argumento trouxe desalento ao debate sobre a condução da política macroeconômica. Soou como a 13.ª batida do relógio, que diz mais sobre o relógio que sobre as horas. E o mais grave é terem deixado que argumento tão desabonador, forjado no eixo Fazenda-BNDES, fosse usado pela própria presidente Dilma na entrevista ao Valor Econômico de 17/3.
ECONOMISTA, DOUTOR PELA UNIVERSIDADE HARVARD, É PROFESSOR TITULAR DO DEPARTAMENTO DE ECONOMIA DA PUC-RIO 

Editorial Econômico - O Estado de São Paulo = Resultados fiscais não são tão bons quanto parecem



O Estado de S.Paulo
O diretor do Banco Central Carlos Hamilton havia anunciado que os resultados das Contas Fiscais em fevereiro seriam muito bons. De fato, para o bimestre o superávit primário é de 4,22% do PIB (R$ 25,6 bilhões), ante 3,52% no mesmo período de 2010. No entanto, não se pode dizer, como alguns comentaristas, que a meta do superávit primário (que neste ano é em valor absoluto) já está cumprida pois, em dois meses, 21,8% do total foi atingido.
Convém medir o entusiasmo. Nota-se que o déficit nominal do setor público passou de R$ 1,5 bilhão, em janeiro, para R$ 11,2 bilhões, em fevereiro - e o do governo federal foi de R$ 2,3 bilhões para R$ 12,6 bilhões, o maior déficit para esse mês, desde que existe o levantamento dos dados. Enquanto isso, os juros nominais ficaram praticamente iguais aos de janeiro. Isso explica por que o superávit primário em fevereiro apresentou redução de R$ 9,8 bilhões em relação ao mês anterior. Em fevereiro, a dívida bruta do governo geral (governo federal, INSS, governos estaduais e municipais) aumentou R$ 24,5 bilhões, o que pode levantar indagações sobre a necessidade de aumentar na mesma proporção a dívida do setor público.
É interessante notar que, enquanto o governo central apresentou superávit primário de R$ 2,5 bilhões em fevereiro, os governos estaduais tiveram superávit primário de R$ 4,3 bilhões, o que parece indicar que, não tendo possibilidade de recorrer ao aumento de suas dívidas, os Estados são forçados a regular melhor suas despesas.
Esses dados não levam a concluir que o governo central não praticou uma política de austeridade. A análise do resultado do Tesouro mostra que, em fevereiro, com uma redução em relação ao mês anterior de 33,3% das receitas brutas, os dispêndios acusaram queda igual, com redução de 41,4% das despesas discricionárias, de 82,4% do PAC, de 13% no pagamento do pessoal e de 103,1% nos subsídios e subvenções econômicas. A questão é saber se a contenção dos investimentos poderá ser mantida e lembrar que, no caso das subvenções, houve transferência via Tesouro para o BNDES.
É muito cedo para afirmar que a batalha das contas públicas está ganha. O Relatório de Inflação mostrou que o Banco Central desistiu de enfrentar com firmeza a alta de preços - que também vai afetar os gastos públicos -, que a pressão sobre os investimentos vai aumentar e que a pressão dos sindicatos operários para reajustes será crescente. 


Etanol no posto pode ficar ainda mais caro



Eduardo Magossi - O Estado de S.Paulo
Apesar de as cotações do etanol ao produtor já estarem caindo há uma semana, o pico dos preços cobrado ao consumidor nos postos de combustíveis ainda não foi atingido, na avaliação do presidente do Sindicato Nacional doas Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom), Alísio Vaz.
Segundo ele, o preço do hidratado nos postos deve continuar subindo até a primeira quinzena de abril. Vaz disse também que o consumo de hidratado já caiu pela metade na semana passada em relação à média semanal de janeiro e fevereiro.
"Enquanto em janeiro e fevereiro o consumo médio de hidratado foi de 166 milhões de litros por semana, esse consumo foi de 85 milhões de litros na semana terminada em 26 de março", disse ele, referindo-se aos dados das empresas filiadas ao Sindicom, que representam 60% do setor.
A expectativa é de que o consumo de hidratado continue retraído até meados de maio, quando um volume maior de etanol começará a entrar no mercado. "A queda registrada até agora nos preços ao produtor vai ser repassada na forma de 4 a 5 centavos apenas ao preço final nos postos", disse o executivo.
Safra. A safra de cana-de-açúcar 2011/12 deve atender apenas 45% da frota flex do Brasil, de acordo com afirmação do presidente da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), Marcos Jank. Segundo ele, estudo realizado pela Copersucar e pela Unica mostra que, para atingir um patamar de 66% da frota flex usando etanol, a cana necessária seria de 775,6 milhões de toneladas. Na safra 2011/12, a estimativa é de uma produção brasileira de 632 milhões de toneladas. 

Para analista, inflação é maior desafio de Dilma



Maria Regina Silva - O Estado de S.Paulo
O principal desafio do governo Dilma Rousseff nos próximos meses é combater a inflação. A avaliação é do estrategista-chefe do Banco WestLB do Brasil, Roberto Padovani, em entrevista à AE TV, da Agência Estado. "O País tem outras questões bastante complicadas, mas certamente hoje a grande questão é a inflação absurdamente elevada."
Padovani afirmou que o governo tem mostrado preocupação com a inflação, reagindo para evitar um avanço desgovernado. Segundo ele, o Banco Central já indicou uma nova alta da taxa Selic e demonstrou que está preocupado com o ajuste fiscal. "Parte da inflação atual não se deve a erro deste governo, mas, fundamentalmente, a erro do governo anterior. Essa inflação é resultado direto das políticas adotadas em 2009 e 2010, é uma herança ruim", destacou, referindo-se ao governo Lula.
Padovani acredita que o BC deve promover uma última alta do juro básico de 0,50 ponto porcentual na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de abril, elevando a taxa Selic para 12,25% ao ano.
O economista ressaltou que a estratégia adotada pelo BC para combater a escalada de preços é tecnicamente correta, mas acredita que a instituição corre riscos altos ao admitir que não trabalha mais com a inflação no centro da meta de 4,5% para 2011.
Sobre as medidas macroprudenciais adotadas no fim do ano passado, o analista disse que é difícil avaliar os impactos sobre toda a economia. Mas ressaltou que já é possível perceber alguns efeitos pontuais das medidas, como a redução na concessão de crédito para a compra de veículos. No entanto, Padovani observou que ainda é cedo para falar em desaceleração do crédito, que segue em ritmo elevado.