Em Brasília
Souza confirmou o encontro com o jornalista Luiz Lanzetta, que estaria representando o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel (PT), o empresário Benedito Oliveira Neto, Bené, e o jornalista Amaury Ribeiro Júnior. O ex-oficial da Aeronáutica Idalberto Matias de Araújo, Dadá, colega de trabalho de Souza, teria organizado o encontro.
Pelo serviço de proteção e investigação para descobrir por quem vazavam as informações do comitê foi oferecido R$ 160 mil por mês ao ex-delegado, pelo período de dez meses, o que alcançaria R$ 1,6 milhão. Além disso, foi pedido a ele que também investigasse dois petistas: Rui Falcão e Valdemir Garreta. “Eu recusei o salário, precisando trabalhar e hoje respondo a dois processos”, disse Onézimo.
Falcão é deputado federal e coordenador da campanha de Dilma Rousseff. Garreta foi ex-secretário da gestão Marta Suplicy na prefeitura de São Paulo entre 2001 e 2004 e hoje é sócio de uma empresa de assessoria de imprensa que presta serviços ao PT.
“Estou tratando da primeira proposta de proteção, de medida de controle, no decorrer da proposta teve outra, que eu considero indecente. Seria fazer um trabalho específico em cima de outro candidato concorrente”, revelou Onézimo se referindo ao candidato tucano à Presidência José Serra.
Ao saber da proposta, Souza questionou: “Vocês querem reeditar o aloprado 2?”, disse parafraseando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na campanha eleitoral de 2006, Lula classificou como "um bando de aloprado" os petistas que tentaram comprar um dossiê com denúncias contra políticos tucanos.
Souza negou o trabalho e a conversa que teve com o grupo petista vazou, sendo publicada pela revista Veja. “Acabei ajudando o PT. Se não afastasse este pessoal, se não deste um basta neste tipo de coisa, as coisas seriam piores no futuro.”, avaliou o ex-delegado.
Onézimo Souza trabalhou na Polícia Federal por 30 anos, na área de narcotráfico, e está aposentado há mais de 15 anos. Desde então, atua como advogado e presta serviço como investigador, mas “nunca com escutas", disse em seu depoimentio. “Acho normal fazer uma pesquisa, quando você vai contratar uma pessoa, acho justo que se faça isso, é um campo moderno de trabalho”, considerou.
O requerimento para ouvir Onézimo é de autoria dos deputados federais Gustavo Fruet (PSDB-PR) e Emanuel Fernandes (PSDB-SP). Idalberto Matias de Araújo, mais conhecido como Dadá, também foi convidado para depor na comissão mas disse que, por enquanto, só fala por meio de seu advogado.
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