Conta se firma como ferramenta de contato com cidadãos, o que pode favorecer 'assistencialismo'
Efe no Estadão
Centenas escrevem para pedir trabalho, casa ou crédito
CARACAS - A conta no Twitter do presidente venezuelano, Hugo Chávez, chegou a um milhão de seguidores, consolidando-se como uma nova plataforma para manter contato com os cidadãos do país, o que alguns criticam por aumentar o "assistencialismo" do governo."Bom dia, mundo bom! Quero agradecer a todos os meus seguidores e seguidoras. Passamos de um milhão! Seguiremos vencendo", escreveu o presidente no endereço @chavezcandanga.
Centenas de venezuelanos escrevem diariamente no Twitter presidencial para pedir trabalho, uma casa nova, créditos ou bolsas de estudo, com a esperança de que Chávez resolva os problemas rapidamente.
Com apenas 6 meses de vida, o Twitter de Chávez serve para compartilhar suas impressões, fazer chamados políticos, parabenizar seu "pai" Fidel Castro no dia do aniversário ou dar as primeiras condolências pela morte do amigo e ex-presidente argentino Nestor Kirchner.
Em maio, Chávez elevou seu endereço no microblog à categoria de "missão bolivariana" e, com 200 funcionários trabalhando nele, converteu a "Missão Chavezcandanga" em um programa social de seu governo, nesse caso responsável por receber todos os tipos de solicitações via web.
Até julho, o presidente venezuelano tinha recebido quase 288 mil pedidos de ajuda, dos quais cerca de 88 mil ainda estão sendo processados.
"O Twitter tem democratizado o relacionamento entre os cidadãos e Chávez, mas, ao mesmo tempo, aumentou a dependência popular em relação ao Executivo, que incentiva as pessoas a procurá-lo e pedir favores. É o populismo", disse o especialista em comunicação e professor da Universidade Católica Andrés Bello (UCAB) Marcelino Bisbal.
Para Bisbal, a incursão de Chávez na internet busca "a conquista de uma frente" que o governo ainda mantinha "intocada", ao contrário da oposição, que conquistou inicialmente esse terreno.
O especialista acredita que o líder do chamado "socialismo do século 21" não quis "ficar para trás" e viu no Twitter um forma de comunicação "muito livre" para ir na contramão dos "baixos níveis" de audiência da mídia oficial, que, de acordo com estudos citados pelo professor, não chegam a 5% da alcance.
De todo modo, a conta de Chávez é a mais seguida na Venezuela - país pioneiro na penetração do Twitter - e destaque no ranking das contas presidenciais da América Latina, ainda que esteja longe da marca conquistada pelo presidente americano, Barack Obama, de 6 milhões de seguidores.
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