terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Haiti: "Nunca participei de uma cobertura tão chocante"



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Para muitos jornalistas brasileiros, a cobertura do desastre causado pelo terremoto no Haiti é a mais “chocante” de suas vidas. O número de mortos e feridos e o caos de Porto Príncipe impressionam os repórteres, que, mesmo já tendo feito coberturas de guerras e conflitos, admitem que tragédia como a do Haiti é algo que nunca presenciaram.

“Eu nunca tinha participado de uma cobertura tão chocante. É tanta tristeza que eu estou com os olhos cheios de dor. Já vi tanta gente morta jogada nas ruas e tantos vivos vagando por esta cidade, que não consigo tirar as imagens da cabeça”, afirma Lília Teles, repórter da TV Globo.

O correspondente do jornal O Estado de S.Paulo, Gustavo Chacra, também garante que os jornalistas brasileiros nunca presenciaram tamanho desastre. “Estado, Folha, Globo, Bandeirantes dividem as instalações daqui (base militar brasileira em Porto Príncipe), lutando pela internet para tentar passar as notícias para vocês (...). Nenhum de nós passou por uma experiência parecida como essa na vida. E aqui tem gente que cobriu guerra e outros terremotos”, escreveu em seu blog.

Para Chacra, o caos em Porto Príncipe se compara a Gaza vezes dez. ”Eu vi Beirute, nos anos 1990, ainda destruída, e anos depois, reconstruída. Mas não dá para comparar a escala. Porto Príncipe é pior. Como escrevi ontem, é Gaza vezes dez”, completou.

O repórter de O Globo Gilberto Scofield Jr. também conta que essa foi a cobertura mais chocante que já fez. Sobre a cena que mais o impressionou, Scofield resume a visão que tem nas ruas de Porto Príncipe. “A quantidade de cadáveres em avançado estado de decomposição espalhados por toda a capital, nas ruas, nos escombros, nas salas de aula, a céu aberto. E o desespero de um país já tão miserável por coisas básicas, como comida, água e abrigo. Muito triste”, relata.

Chegada ao caos
Para chegar a esse cenário os jornalistas enfrentaram algumas dificuldades por causa do fechamento do aeroporto de Porto Príncipe. A alternativa foi voar até a vizinha República Dominicana e seguir de carro, por seis horas, em estradas precárias e sem segurança, até a cidade destruída.

“O acesso dos jornalistas foi dos mais difíceis. A estrada dominicana é boa, mas o pequeno trecho de 40 quilômetros da fronteira até a capital haitiana foi das coisas mais sofridas. Outros jornalistas conseguiram fretar pequenos aviões e helicópteros e vieram por ar. Alguns aproveitaram os voos militares de seus países e vieram nestes aviões”, relata Scofield.

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