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O Tesouro dos EUA impôs nesta quarta-feira sanções adicionais ao Irã por seu programa nuclear, pondo na "lista negra" mais empresas e pessoas supostas de ligações com os programas de mísseis e nuclear do Irã.
As medidas são as primeiras adotadas pelos EUA para implementar as novas sanções do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) ao Irã, aprovadas na semana passada. As medidas proíbem transações de americanos com as entidades listadas, e buscam congelar quaisquer bens que eles tenham sob jurisdição americana.
A União Europeia deve anunciar medidas adicionais nesta quinta-feira.
"Nossas ações hoje são destinadas a deter outros governos e instituições financeiras estrangeiras de lidar com essas entidades e, desse modo, apoiar as atividades ilícitas do Irã", disse o secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner.
Ele convidou os outros países a agirem da mesma forma. "Isso não é algo que os EUA podem fazer sozinhos."
Lista negra
O Tesouro também tomou uma medida separada para pressionar o setor energético do Irã, identificando 20 empresas de petróleo e petroquímicas que estão sob controle do governo iraniano --de modo que não podem fazer negócio com os EUA, sob um embargo comercial geral.
Uma parte das empresas estão sediadas fora do Irã e suas ligações com Teerã não eram nada óbvias, segundo representantes do Tesouro americano.
Eles também identificaram duas companhias de seguro que cairiam no embargo comercial, incluindo uma sediada no Reino Unido.
Dessas 22 empresas de petróleo, energia e seguros que pertencem ou são controladas pelo governo iraniano, oito estão localizadas no Reino Unido, com sede em Londres; seis estão no Irã; três estão nas ilhas Jérsei; duas em Cingapura; duas nos Emirados Árabes Unidos; e uma na Alemanha.
Os EUA também incluíram na lista negra duas pessoas e quatro organizações que fazem parte da Guarda Revolucionária do Irã, que os EUA acusam de desempenhar um papel central no programa de mísseis iraniano e no apoio ao terrorismo.
As pessoas são Mohammad Ali Jafari, comandante chefe da Guarda Revolucionária desde setembro de 2007, e Mohammad Reza Naqdi, que é acusado de ter ajudado a burlar as sanções anteriores.
Banco
Geithner disse que os EUA planejam mais ações para aumentar a pressão financeira contra o Irã nas próximas semanas. "Vamos continuar mirando apoiadores do Irã para organizações terroristas. Vamos continuar focando na Guarda Revolucionária do Irã", disse. "E vamos continuar a expor os esforços do Irã para evitar as sanções internacionais."
O Tesouro disse que acrescentou o Post Bank do Irã à sua lista de especialmente designados proliferadores de armas de destruição em massa --o 16º banco iraniano que os EUA busca remover do sistema financeiro internacional.
Desde que o banco Sepah foi embargado em 2007, o Post Bank tentou intervir e desviar transações internacionais em nome do Sepah, disse Stuart Levey, subsecretário do Tesouro para terrorismo e inteligência financeira.
Entre elas estava uma transferência valendo milhões de dólares à Hong Kong Electronics, uma empresa que estava anteriormente na lista negra envolvida na proliferação de armas para a Coreia do Norte, disse Levey. Antes, o Post Bank apenas operava internamente no Irã.
Navios
As medidas do Tesouro também tentam evitar que a estatal Empresa de Navegação da República Islâmica (Irisl, na sigla em inglês) burle as sanções contra ela renomeando seus navios e transferindo-os para outras empresas de fachada.
A nova lista negra dos EUA inclui cinco empresas de fachada, identifica 27 novos navios bloqueados sob as novas sanções, e atualiza o registro de 71 outros que tiveram nome, registro ou bandeira alterados.
As novas sanções também miram os membros da Guarda Revolucionária Iraniana, pondo na lista negra sua força aérea e comandos de mísseis por causa de suas atividades no desenvolvimento de mísseis balísticos.
Os EUA já tinham imposto sanções a entidades da Guarda Revolucionária pelo seu apoio a atividades terroristas e aos programas nuclear e de mísseis do Irã.
A Guarda Revolucionária tomou uma parte cada vez maior da economia do Irã e "não deveria ter nenhum espaço no sistema financeiro internacional", disse Levey.
O Irã nega as acusações ocidentais de que esteja desenvolvendo armas atômicas, e insiste que seu programa nuclear tem fins meramente pacíficos.
A resolução da ONU adotou medidas contra novos bancos iranianos no exterior se houver suspeita de ligação com os programas de mísseis ou nuclear do Irã, bem como vigilância sobre as transações com qualquer banco iraniano. A ONU também pediu uma inspeção de cargas semelhante à em vigor na Coreia do Norte.
Cooperação internacional
As medidas dos EUA foram anunciadas no momento em que os Estados da União Europeia consideram suas próprias sanções adicionais às do Conselho de Segurança da ONU, incluindo ações contra bancos iranianos e companhias de seguro envolvidas no comércio financeiro. O pacote europeu pode estar pronto até meio de julho.
O sucesso das sanções dos EUA contra as entidades do Irã vai depender amplamente de governos e empresas estrangeiros endossarem as medidas. Até agora, muitos bancos europeus suspenderam negócios com empresas na lista negra do Tesouro, e representantes americanos planejam um esforço maior para persuadir os governos a apoiar as sanções dos EUA e adotar medidas semelhantes.
Congresso
O senador americano Joseph Lieberman disse esperar que o Congresso termine rapidamente uma lei apertando as sanções americanas ao Irã, que devem incluir provisões afetando o fornecimento de produtos do refino do petróleo a Teerã, e acrescentar sanções a seu setor financeiro.
Lieberman, independente, é membro do comitê de negociadores do Parlamento trabalhando nos detalhes finais do projeto e disse que ele pode ser aprovado até 4 de julho.
"Definitivamente vai incluir produtos do refino do petróleo", disse. "Acho que também haverão fortes medidas contra o setor financeiro no Irã."
"Elas têm que ser fortes, porque, em minha opinião, as sanções econômicas são a última chance para nós evitarmos ter que escolher entre um Irã nuclear e uma ação militar contra o Irã."
COM AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS
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