Exclusão aérea sobre a Líbia constitui um ato de guerra, e sua adoção sem mandato da ONU representaria novo erro estratégico dos EUA na região
Todas as opções sobre o conflito na Líbia -militares ou não- encontram-se "sobre a mesa" de Barack Obama. No lado das opções bélicas, a que mais se debate é a zona de exclusão aérea, operação que bloquearia todos os voos sobre o território líbio.
A frase tem sido repetida cansativamente, sem que o seu tom um tanto ameaçador dissipe a impressão de que, na realidade, ações concretas por parte do governo americano têm grande possibilidade de se revelarem inefetivas, ou puramente desastrosas.
Seguindo o roteiro clássico dos entreveros na opinião pública dos EUA, pesa sobre o presidente democrata a acusação de ser excessivamente brando em questões de segurança internacional. A pressão dos chamados "falcões", de oposição ou governistas, raras vezes arrefece. Pouco importa que, pelo menos desde o Vietnã, o histórico das intervenções militares americanas recomende atitudes de maior prudência.
De certa forma, há uma assimetria política entre "radicais" e "moderados" em questões desse tipo. Torna-se difícil, para os moderados, afirmar que pouco resta a ser feito (exceto as sanções já adotadas) diante dos desmandos de um ditador como Muammar Gaddafi. O sábio empenho em evitar aventuras sangrentas, como as do Iraque e do Afeganistão, passa a ser entendido como leniência e cumplicidade diante dos crimes, passados e presentes.
Por mais evidentes e chocantes que sejam, por exemplo, os ataques aéreos que as forças leais a Gaddafi desferiram sobre os rebeldes, a situação na Líbia está mais próxima de configurar-se como uma guerra civil, em que duas facções armadas entram em conflito (embora desigual), do que como o ataque de um ditador sobre a população civil desarmada.
Em casos de "crime contra a humanidade", a intervenção de uma força multinacional, sob comando da ONU, pode ser até recomendável. Mas não há como estender o preceito a um quadro ainda confuso, em que o próprio perfil do conflito não é bem conhecido.
O caso da Líbia, em suma, ainda deve ser decidido pelos próprios líbios. Rompendo relações diplomáticas com Gaddafi, reconhecendo os rebeldes como interlocutores legítimos, países como Estados Unidos e França ainda estão agindo, decerto, no âmbito legítimo das pressões internacionais.
Ações mais "corajosas", como gostaria a mentalidade belicista de parte da opinião pública americana e europeia, não eximirão o Ocidente da cumplicidade que manteve e mantém, por décadas, com ditaduras que lhe convieram política e economicamente.
Atos de guerra como a zona de exclusão aérea -que pressupõe bombardeio preventivo contra baterias antiaéreas líbias- podem, isto sim, trazer mais sangue e destruição a uma região em que as potências mundiais, em especial os Estados Unidos, especializaram-se em acumular erro sobre erro.
A frase tem sido repetida cansativamente, sem que o seu tom um tanto ameaçador dissipe a impressão de que, na realidade, ações concretas por parte do governo americano têm grande possibilidade de se revelarem inefetivas, ou puramente desastrosas.
Seguindo o roteiro clássico dos entreveros na opinião pública dos EUA, pesa sobre o presidente democrata a acusação de ser excessivamente brando em questões de segurança internacional. A pressão dos chamados "falcões", de oposição ou governistas, raras vezes arrefece. Pouco importa que, pelo menos desde o Vietnã, o histórico das intervenções militares americanas recomende atitudes de maior prudência.
De certa forma, há uma assimetria política entre "radicais" e "moderados" em questões desse tipo. Torna-se difícil, para os moderados, afirmar que pouco resta a ser feito (exceto as sanções já adotadas) diante dos desmandos de um ditador como Muammar Gaddafi. O sábio empenho em evitar aventuras sangrentas, como as do Iraque e do Afeganistão, passa a ser entendido como leniência e cumplicidade diante dos crimes, passados e presentes.
Por mais evidentes e chocantes que sejam, por exemplo, os ataques aéreos que as forças leais a Gaddafi desferiram sobre os rebeldes, a situação na Líbia está mais próxima de configurar-se como uma guerra civil, em que duas facções armadas entram em conflito (embora desigual), do que como o ataque de um ditador sobre a população civil desarmada.
Em casos de "crime contra a humanidade", a intervenção de uma força multinacional, sob comando da ONU, pode ser até recomendável. Mas não há como estender o preceito a um quadro ainda confuso, em que o próprio perfil do conflito não é bem conhecido.
O caso da Líbia, em suma, ainda deve ser decidido pelos próprios líbios. Rompendo relações diplomáticas com Gaddafi, reconhecendo os rebeldes como interlocutores legítimos, países como Estados Unidos e França ainda estão agindo, decerto, no âmbito legítimo das pressões internacionais.
Ações mais "corajosas", como gostaria a mentalidade belicista de parte da opinião pública americana e europeia, não eximirão o Ocidente da cumplicidade que manteve e mantém, por décadas, com ditaduras que lhe convieram política e economicamente.
Atos de guerra como a zona de exclusão aérea -que pressupõe bombardeio preventivo contra baterias antiaéreas líbias- podem, isto sim, trazer mais sangue e destruição a uma região em que as potências mundiais, em especial os Estados Unidos, especializaram-se em acumular erro sobre erro.
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