domingo, 30 de maio de 2010

Bahia é alvo de nova "corrida do ouro"

Mineradoras investem bilhões de dólares no Estado, que superou Minas como principal destino de pesquisas

Proximidade com o litoral compensa, em alguns casos, atuação em áreas com menor concentração de minério

FERNANDO CANZIAN
ENVIADO ESPECIAL À BAHIA da Folha de São Paulo 29 de maio de 2010

A Bahia se tornou alvo de uma nova "corrida do ouro" entre mineradoras no país.
O Estado já ultrapassara Minas Gerais como principal destino de pesquisas para a extração de commodities minerais e agora atrai investimentos bilionários capazes de se pagar em prazos relativamente curtos.
"Ouro", no caso, são minérios como ferro, níquel e vanádio, com preços e perspectivas de consumo em alta.
Nessa corrida, estão grandes e novas mineradoras, como Ferrous, Mirabela, Bahia Mineração (Bamin) e Largo Mineração.
Em 2009, foram registrados na Bahia 3.391 requerimentos de pesquisas minerais (1ª posição no país), ante 2.357 em Minas Gerais.
Entre os principais atrativos do Estado, além de uma quantidade cada vez maior de descobertas de jazidas, está a proximidade com o Atlântico. É de onde o minério sai para exportação.
Mesmo em jazidas em que o ferro extraído tem um teor mais baixo do que em outras áreas de Minas, a economia com a logística de transporte compensa o investimento.
Caso da Ferrous, de apenas três anos e que está se tornando a quarta empresa do país em jazidas auditadas.
Seus investimentos na Bahia podem chegar a US$ 2 bilhões, caso a empresa decida de fato pela construção de um "minerioduto" de 100 km ligando o município de Coração de Maria à Baía de Todos os Santos, em Salvador.
A Ferrous tem como principais sócios um empresário australiano, fundos de investimento dos EUA e duas famílias de Minas Gerais ligadas à área de mineração.

INVESTIMENTOS
As jazidas alvo dos investimentos têm potencial para produzir 15 milhões de toneladas de minério de ferro por ano e podem ser exploradas por cerca de 30 anos.
Segundo André Simão, diretor administrativo, é de 28% o teor de ferro extraído das rochas na jazida. Em Minas Gerais, ele chega a 34%.
Para a venda como commodity, o minério tem de estar concentrado a 66%. "Mesmo que se gastem US$ 2 a mais para atingir um teor maior, a distância e a logística compensam", diz Simão.
Com o "minerioduto", o minério de ferro pode chegar a US$ 27 a tonelada no porto (seriam US$ 32 via caminhão). Mas, com o produto ao redor de US$ 120 a tonelada, o investimento pode se pagar em até seis anos.
Além do minério de ferro, há novos investimentos em commodities como níquel e vanádio -empregado em ligas para aços usados nas indústrias aeroespacial e bélica, entre outros.
A Largo Mineração está investindo, em Maracás, US$ 270 milhões (com retorno em dois anos) para extrair 13,6 quilos de vanádio para cada tonelada de rocha explorada.
Parte do rejeito é aproveitada como minério de ferro de baixa concentração.
Kurt Menchen, diretor-geral da canadense Largo, afirma que a concentração de 1,36% é uma das maiores do mundo e que o produto pode ser vendido a US$ 36 o quilo.
A jazida da Largo será explorada antes de 2013 e produzirá 5.500 toneladas/ano (ou 7% do total mundial).

Nenhum comentário:

Postar um comentário