segunda-feira, 24 de maio de 2010

"Estamos nos tornando uma teocracia", diz Harold Bloom

MARCELO PEN
Crítico da Folha de S.Paulo


Com uma voz cansada e melodiosa, que busca angariar afeição; expressando arrependimento por nunca ter visitado o Brasil e alegando que agora, aos 75 anos recém-completados, a longa viagem seria muito difícil, se não impossível: é assim que o crítico Harold Bloom atende ao telefonema da Folha, em sua casa de New Haven, Connecticut.

Mas que o leitor não se engane. O americano tranqüilo, que chama o entrevistador quase o tempo todo de "meu querido" ("my dear"), é um crítico furioso. Dispara bem mais do que farpas contra o que ele chama de "fascismo de direita e de esquerda" nos Estados Unidos, um tipo de "puritanismo" que teria origem em Platão.

A contracultura --hoje a "cultura oficial"-- estaria promovendo uma caça às bruxas, deitando à fogueira autores como Emerson e Shakespeare, enquanto louva outros por causa de "pigmentação da pele e a orientação sexual", dentre fatores menos literários. Entrementes, George, ou, melhor dizendo, "Benedito" Bush, lidera a "plutocracia" americana em sua sanha contra o que é minimamente dotado de inteligência --seja no Oriente Médio, seja em sua terra natal.

Parte dos ataques está em "Onde Encontrar a Sabedoria?" (Objetiva, tradução de José Roberto O'Shea, 320 págs., R$ 44,90), conjunto de ensaios que procura retomar o debate sobre a suposta incompatibilidade entre filosofia e literatura, em voga pelo menos desde que Platão expatriou Homero (e os poetas) de sua República utópica.

E a polêmica nos Estados Unidos deve continuar, conforme prevê o próprio Bloom, com o lançamento por lá de "Jesus e Jeová", que sugere que os últimos dois mil anos de religião ocidental, no mínimo, estiveram baseados numa impostura. Segurem os cintos. Integra AQUI

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