segunda-feira, 3 de maio de 2010

Premiê da Grécia alerta população para 'grandes sacríficios'

Governo grego concordou em adotar medidas de austeridade financeira em troca de ajuda de até € 110 bilhões

Clarissa Mangueira, da Agência Estado

ATENAS - O primeiro-ministro da Grécia, George Papandreou, alertou ontem o país para grandes sacrifícios depois que seu governo concordou em adotar medidas financeiras austeras em troca de uma ajuda europeia sem precedentes que, somada ao aporte do Fundo Monetário Internacional, chega a 110 bilhões de euros em três anos.

"Hoje (domingo), nós aprovamos o acordo", disse Papandreou em um discurso televisionado, no início de uma reunião extraordinária do governo. "Com a nossa decisão de hoje, os nossos cidadãos terão de fazer grandes sacrifícios", disse o primeiro-ministro grego, classificando a revolta contra a nova onda de cortes de austeridade como "evidente".

A Grécia tem estado sob forte pressão para reduzir um enorme déficit público que sacudiu os mercados internacionais e despertou temores de contágio para outros países europeus endividados.

Visivelmente desconfortável ao fazer o anúncio, depois dos violentos protestos contra o governo, que reuniram 15 mil pessoas em Atenas no sábado, Dia do Trabalho, o primeiro-ministro grego disse que o tamanho do resgate foi "sem precedentes" no mundo, mas não revelou se a ajuda valeu a pena.

Ele disse que os trabalhadores ativos e aposentados do setor público deverão suportar o peso de uma nova onda de cortes orçamentários, exigidos pela UE e pelo FMI como uma condição para a liberação dos empréstimos desesperadamente necessários.

Depois de meses de hesitação, os países da zona do euro decidiram acelerar os esforços para ajudar a Grécia diante do medo de que a crise da dívida do país pudesse afetar as outras nações europeias que enfrentam problemas fiscais severos, como Portugal ou mesmo a Espanha.

"O problema tomou dimensões enormes, hoje o fogo ameaçou se estender não só para a Grécia, mas para a zona euro e para além dela", disse Papandreou. "O custo de extinção é muito alto, e ele é muito elevado para os cidadãos gregos", acrescentou o primeiro-ministro. As informações são da Dow Jones.

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