segunda-feira, 24 de maio de 2010

Governista sobe o tom no último comício na Colômbia

FLAVIA MARREIRO
ENVIADA ESPECIAL A CARTAGENA (COLÔMBIA)na Folha

O candidato governista à Presidência da Colômbia, Juan Manuel Santos (Partido de la U), subiu o tom das críticas ontem contra seu principal concorrente, Antanas Mockus (Partido Verde), no comício de encerramento da campanha na caribenha cidade de Cartagena.

"Eu não baixo as calças: eu as amarro. Comigo a Colômbia sabe que pode dormir tranquila", disse o ex-ministro da Defesa no último ato público antes da votação do primeiro turno, no próximo domingo. "Não queremos dar um salto ao vazio, filosofar."

Santos fazia referência a um dos episódios mais controversos e famosos do matemático e filósofo Mockus que, quando era reitor da Universidade Nacional, a principal da Colômbia, baixou as calças em meio a um ferrenho protesto estudantil em 1993.

Os candidatos governista e verde, empatados tecnicamente em primeiro lugar, devem disputar o segundo turno, em 20 de junho, e os ataques de parte a parte --Mockus e seus apoiadores também fizeram ontem críticas mais incisivas ao governo-- sinalizam que a segunda etapa da campanha deve ser agitada.

Segundo a pesquisa do Ipsos Napoleón Franco divulgada no sábado (22), Santos tem 34% das intenções de votos e Mockus, 32% (margem de erro de 1,8 pontos percentuais). O candidato verde está à frente na provável segunda votação (45% contra 40%).

De hoje a domingo é proibido divulgar novas pesquisas. Propaganda na TV, rádio e internet podem ser veiculadas até a véspera da votação. Os candidatos se enfrentarão ainda em dois debates, amanhã e na quinta-feira.

Ontem, Mockus fez comício de encerramento no centro de Bogotá, ao lado dos também ex-prefeitos da capital Enrique Peñalosa e Luis Eduardo Garzón. A tônica foi a pregação ética do candidato, seu coro "a vida é sagrada" e pela política que não adota o "vale tudo" --, ataque direto ao governo Uribe, que melhorou os índices de segurança do país e acossou as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) como nunca, mas foi marcado por escândalos de corrupção e acusações de violações de direitos humanos.

Apoio e guerrilha

Santos recebeu ontem o apoio explícito do jornal "El Tiempo", o principal do país, em editorial --o periódico costuma explicitar sua preferência eleitoral, como na tradição do jornalismo norte-americano. O candidato foi colunista e subdiretor do diário controlado por sua família até 2007, quando o grupo espanhol Planeta passou a ser o sócio majoritário.

Também ontem, o candidato do esquerdista Polo Democrático, Gustavo Petro, disse ter informação de que a guerrilha preparava um atentando contra ele. A segurança de Petro foi reforçada.

Segundo a ONG Missão de Observação Eleitoral (MOE), que mapeia o risco eleitoral na Colômbia, a principal ameaça à lisura na votação do próximo domingo é a intervenção de funcionários públicos de todos os níveis a favor de seu candidato. Na escala de risco, a coação de grupos armados ilegais, como as Farc, vem em segundo lugar.

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