Em entrevista concedida na manhã desta sexta-feira (14), à Rádio Tupi AM, no Rio de Janeiro (RJ), o pré-candidato do PSDB à presidência, José Serra disparou, direta e indiretamente, contra o governo Lula. Sem se alterar, Serra criticou o hábito de "culpar os tribunais de contas" por atrasos em obras - ainda que sem citar o nome - do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e afirmou que o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) precisará ser tocado pelo próximo governo, por seu "baixo grau de execução".
Questionado se daria sequência ao PAC 2 - segunda fase do programa, já anunciado pelo Governo federal -, Serra disse que quem for eleito precisará fazer "o PAC 1 mesmo", do qual relatou discrepância entre os investimentos anunciados e executados no Estado do Rio - ao qual foi dedicado boa parte da entrevista com cerca de meia-hora.
"De execução, o programa tem R$ 14 bilhões, quando o anúncio foi de R$ 196 bilhões. Ou seja, daquilo que foi anunciado, foi cumprido 13%. Se até o fim do ano, forem 15% ou 16%, ainda faltam quase 80%. É como em uma corrida de 100 metros, termos 20 percorridos. O PAC 1 terá que ser adotado pelo próximo governo federal, no qual o Lula estará fora".
Serra aproveitou para relacionar o PAC ao Avança Brasil, do governo Fernando Henrique Cardoso. "Não sou contra isso, não (PAC). É bom ter itens, porque já vai se abrindo caminho, como fez o Avança Brasil, do governo passado. O PAC recolheu muitas coisas do Avança Brasil".
Após criticar a baixa execução do PAC, José Serra aproveitou para exaltar uma obra de seu governo em São Paulo, o Rodoanel Mário Covas, "a maior obra rodoviária do Brasil. Fizemos, começou e terminou em três anos", afirmou. Nem todo o rodoanel foi concluído, porém. Seu trecho sul é que foi inaugurado, em abril, e, na ocasião, o atual governador, Alberto Goldman - então vice de Serra - admitiu que ainda faltavam "alguns viadutos" a serem finalizados entre 30 e 60 dias.
Ainda em relação a execução de projetos, Serra defendeu discussão com órgãos ambientais e tribunais de contas como forma de evitar atrasos em obras. "Tem um projeto? Vai discutir antes: que problema teria aqui?. Em São Paulo, fiz duas pistas novas na Marginal Tietê em um ano. Na hora que anunciamos, já tinha todo o problema ambiental resolvido. Não adianta culpar Tribunal de Contas, Ministério Público, meio ambiente".
No final do ano passado, o presidente Lula culpou o TCU (Tribunal de Contas da União) por atrasos em obras do PAC. Neste ano, ele mudou o Orçamento aprovado no Congresso, destinando verba a quatro obras da Petrobras com suspeitas de irregularidades, segundo o TCU, e chegou a inaugurar uma delas, a Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, na região metropolitana de Curitiba.
Serra ainda afirmou que o governo federal em que assumir responsabilidade pela segurança pública, lembrando que o tráfico de armas "é de responsabilidade federal" e disse que o Rio precisa ampliar seu metrô, culpando o trânsito por ter chegado 10 minutos atrasado à entrevista.
Luta Armada
Durante a entrevista, José Serra também criticou, indiretamente, a luta armada da qual participou Dilma Rousseff (PT), sua principal adversária na eleição.
As considerações sobre o assunto começaram quando o apresentador Francisco Barbosa perguntou sobre a posição de Serra sobre julgamentos por torturas na ditadura militar. O ex-governador de São Paulo afirmou ser a favor de "saber tudo o que aconteceu", mas contra julgamentos, citando a manutenção, pelo Supremo Tribunal Federal, da Lei da Anistia, e a prescrição dos crimes.
"Nunca me envolvi em luta armada, que nunca foi empecilho para a repressão. Morreu muita gente que defendia uma via pacífica, como o (ex-deputado federal) Rubens Paiva, que não sabia atirar nem estilingue. Eu quero saber o que aconteceu de fato com ele. Agora, não é um assunto simples abrir os arquivos (da ditadura). O governo Lula, em sete anos, não abriu".
Nesta quinta-feira (13), a pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, afirmou ter lutado "pela liberdade e pela democracia" contra a ditadura militar. De fato, sua organização, VAR-Palmares, se opôs ao regime, mas não tinha como objetivo restaurar a democracia, e sim, instalar um governo socialista, nos moldes de China e Cuba.
0 comentários:
Postar um comentário