SIMONE IGLESIAS
da Sucursal de Brasília na Folha Online
O ministro Celso Amorim (Relações Exteriores) disse que não aceita as críticas de que o Brasil deve se omitir e não se envolver no processo de paz do Oriente Médio e no enriquecimento de urânio pelo governo iraniano.
Ao discursar nesta terça-feira durante formatura de novos diplomatas, no Itamaraty, Amorim afirmou que o país não pode abdicar da sua própria capacidade de julgamento, nem delegar suas decisões aos mais poderosos "por temor de um suposto isolamento".
Amorim disse que, no caso do Irã, o Brasil não é "pró-EUA, nem pró-Irã".
"O Brasil vê que é possível chegar a um acordo, uma solução adequada para o problema iraniano", afirmou, ao complementar que o governo brasileiro quer evitar uma giuerra.
"Continuaremos a tentar, sem bravatas ou tiradas quixotescas, mas também sem a covardia dos que podem mas não fazem por conveniência, medo ou inapetência política. O que queremos é evitar uma tragédia similar à que ocorreu no Iraque, onde o ciclo de sanções impostas a Bagdá e as atitudes desafiantes de Saddam Hussein terminaram da forma como todos conhecemos", afirmou.
Quanto ao envolvimento do Brasil em assuntos externos, o ministro disse que os problemas do Irã e do Oriente Médio e de pós-conflitos na África estão próximas ao Brasil
"Há quem pense, por comodismo ou precaução excessiva, que devemos nos silenciar diante das questões globais que não nos digam respeito de forma direta, imediata. O que essas pessoas muitas vezes esquecem é que a omissão também tem um custo e que cedo ou tarde teremos de pagá-lo."
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